O cenário é familiar, mas o apelo é urgente. Sob o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema bíblico “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a Igreja no Brasil lança a Campanha da Fraternidade (CF) 2026. A iniciativa nos convida a tirar a venda dos olhos para enxergar o Cristo que, hoje, continua sem teto, dormindo em bancos de praças ou em moradias precárias que ferem a dignidade humana.
O Verbo que se faz “Vizinho”
O lema deste ano remete ao mistério da Encarnação. Ao dizer que o Verbo se fez carne e “habitou” entre nós, o Evangelho de João utiliza um termo que, no original, sugere “armar sua tenda”. Deus não escolheu um palácio; escolheu a simplicidade e a vulnerabilidade.
Nos tempos atuais, onde o Brasil enfrenta um déficit de milhões de moradias adequadas, a CF 2026 nos recorda que o direito ao teto não é apenas uma questão política ou social, mas uma exigência da fé. Ter um lar é ter um lugar de pertença, segurança e dignidade — elementos essenciais para que a vida floresça conforme o plano divino.
A Conexão com o Legado de Santa Paulina
Para nós, devotos e peregrinos do Santuário Santa Paulina, este tema ressoa de forma especial. A trajetória da primeira santa do Brasil foi marcada pelo acolhimento. Santa Paulina não apenas fundou uma congregação; ela abriu as portas para os doentes, os idosos e os desamparados. Sua missão era, em essência, oferecer uma “moradia” de amor e cuidado para quem a sociedade descartava.
Ao olharmos para o cartaz da campanha, que destaca a escultura do “Cristo Sem-Teto” (um homem deitado em um banco, cujas chagas nos pés revelam sua identidade divina), somos questionados: como estamos acolhendo Jesus em nossos irmãos que sofrem com a falta de um lar?
Gestos Concretos e Solidariedade
A Campanha da Fraternidade não é apenas uma reflexão teórica. Ela culmina na Coleta Nacional da Solidariedade, que em 2026 será realizada no dia 29 de março. Os recursos arrecadados apoiam projetos sociais que lutam por moradia digna e saneamento básico em todo o país.
No Santuário, somos convidados a ser esse “rosto acolhedor” de Deus. Que cada oração feita aos pés de Santa Paulina se transforme em uma ação de compaixão. Afinal, a nossa fé não termina no altar; ela se concretiza quando ajudamos a transformar a dor do irmão em esperança e o abandono em moradia.
“Nunca, jamais, desanimeis, embora venham ventos contrários.” – Santa Paulina
Que o exemplo de nossa intercessora nos inspire a construir uma sociedade onde ninguém mais precise fazer de um banco de praça o seu leito.